O poder do exemplo de um líder

 em Cultura Organizacional, Habilidades Profissionais, Liderança

Uma das descobertas mais importantes da neurociência nos últimos anos foi a existência de neurônios-espelho e a sua conexão com o sistema nervoso do cérebro humano. Eles são responsáveis por promover no cérebro humano uma espécie de “simulador de ação”: ensaiamos ou imitamos mentalmente toda ação que observamos. Essa descoberta molda tudo que nos rodeia, pois além de ativar a empatia, é capaz de mudar a maneira como percebemos e agimos frente às situações ou sobre como antecipar as possíveis respostas a uma determinada ação, o que leva os cientistas a acreditarem que o cérebro é um grande gerador de hipóteses que antecipa as consequências da ação e que permite a tomada de decisão.

O que essa descoberta tem a ver com esse texto? Tudo. Somos a média das 5 pessoas com as quais mais convivemos e essa descoberta reforça a importância de sermos cercados por pessoas com o “balde” cheio de integridade e mensagens claras.

Em 2019 um exemplo chamou muito a atenção – o de ativar a mudança em você mesmo primeiro, para depois provocá-las nas outras pessoas através de mensagens de transformação. Cândido Bracher, CEO do Banco Itaú em seu, até então, mais recente desafio, de forjar uma cultura orientada ao cliente ou com o cliente no foco central das decisões sobre serviços e soluções, entendeu que não é possível realizar verdadeiramente uma transformação, sem que todas as ações sejam voltadas para satisfação do cliente, se não “sentir” o cliente de perto. Para que isso pudesse ser a mensagem principal e sustentadora desse início dessa transformação, o CEO fez o que talvez ninguém esperava (tradicionalmente) de uma pessoa que estivesse em um cargo desse nível – foi para a linha de frente realizar um atendimento em uma agência bancária para compreender, interpretar e sentir como é que as coisas são feitas e funcionam naquele momento. Isso muda tudo, isso é passar de maneira exemplar a mensagem clara que é utilizada constantemente na organização para lembrar da transformação – precisamos “mudar de liga”.

Esse exemplo até me lembra uma história que ouvi sobre Gandhi em determinado momento da minha vida. Gandhi foi um líder religioso e Político que lutava em prol de causas nacionalistas na Índia…

Certa vez uma mãe trouxe seu filho para ver Gandhi com o objetivo principal de mudar um comportamento específico em seu filho.

-Ela diz: “Por favor Gandhi, diga ao meu filho para que abandone e pare de consumir açúcar.”
-Gandhi diz: “Por favor, voltem daqui a seis meses.”
Ela e o filho saem e após seis meses retornam para falar com Gandhi novamente.

Gandhi olha para a criança e diz:
-“Garoto, pare de comer açúcar”.

A mãe pergunta:
-“Por que tivemos que esperar seis meses para você dar essa orientação?”

-Gandhi diz: “Primeiro, eu tive que parar de consumir açúcar para poder pedir a alguém para fazer isso também”.

Essa história traz todo o sentido necessário para a história nacional que mostrou a importância de ativar mudanças internas primeiro e depois provocá-las, assim como fez Cândido Bracher do Itaú.

Você poderia fazer isso?

Você poderia internalizar isso?

Você poderia mostrar que está disposto a mudar, a crescer, que pode se desculpar por erros antes de pedir aos outros? 

É isso que grandes líderes fazem.

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